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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O homem de Taured



O homem que chegou no Japão aquele dia em 1954 certamente era um estranho numa terra estranha.  Sendo um ocidental no oriente, ele era mais alto do que a maioria dos japoneses que estavam no complexo do aeroporto de Tóquio.  Mas logo, os espantados agentes da aduana descobriram que o homem era mais do que somente um forasteiro em seu meio. 

O homem impossível era um estranho de um mundo estranho — um mundo que existiu em um outro universo!

Este incidente muito estranho ocorreu há quase 60 anos no Japão.  Partes da história foram relatadas durante a década de 1950 em vários livros que tratam de ocorrências estranhas.

Juntando tantos detalhes quanto possível (alguns desses podem ter sido perdidos para sempre), a lenda toma um aspecto misterioso e certamente qualifica como um possível encontro com os infinitos mundos do multiverso.

Vôo de lugar nenhum

O dia começou como qualquer outro para os homens e mulheres da alfândega japonesa.  Eles se inclinaram para seus superiores e tomaram seus lugares nos balcões das instalações, localizados próximos à área de desembarque do terminal internacional.

Mas o que começou normalmente logo se desenvolveu em um quebra-cabeças, e logo depois em assombro, quando um dos viajantes que havia vindo da Europa mostrou seu passaporte.

Seu documento de viagem mostrava que ele vinha de um país que ninguém havia escutado a respeito em seus carreiras.  Mesmo os agentes com mais tempo de serviço estavam frustrados pelo passaporte que, apesar de sua imparidade, parecia ser autêntico.

De acordo com o passaporte, o homem era de um país chamado Taured.
Eles colocaram o passageiro para o lado e o escoltaram para uma sala de interrogação a fim de entrevistá-lo enquando conferiam as informações por detrás.

O homem misterioso parecia caucasiano, disse que seu país ficava na Europa e carregava moeda oficial de vários países europeus em um a carteira grande e bem feita.

Confusão e raiva
Enquanto os agentes da alfândega estavam confusos, o sujeito ficava cada vez mais irado.  Ele alegava que estava no Japão a negócios e que já era sua a terceira viagem naquele ano.  Ele havia viajado para o Japão por mais de cinco anos e sua companhia era uma subsidiária de um conglomerado internacional que estava em crescimento.

Apesar de ter sido verdade que o passaporte do homem corroborava sua história, pois o documento continha muitos carimbos e vistos, nenhum registro deste país existia. 

E quando a companhia no Japão que ele alegava ter uma reunião agendada foi contactada, eles declararam categoricamente que nunca haviam escutado sobre o homem e tampouco da companhia que ele representava.

Igualmente intrigante eram os outros documentos do homem: ele carregava uma carteira de motorista emitida pelo seu país, mas o país não existia.  Ele também tinha uma carteira de motorista internacional, mas esta também era inválida.  Um talão de cheques continha cheques de uma conta de um banco desconhecido.

O hotel no qual o homem insistia ter feito reservas não tinha nenhum registro dele.
Verdadeiramente um estranho em um mundo estranho.

O homem falava várias línguas, inclusive japonês.  Ele disse que sua língua mãe era o francês e quando lhe foi mostrado um mapa do mundo ele pareceu ficar genuinamente chocado que seu país não estava lá.

Ele mostrou que Taured estava localizado onde o Principado de Andorra aparecia no mapa, entre a Espanha e a França.  Ele afirmava irredutivelmente que Andorra não existia e que seu país já tinha quase 1000 anos.

Teria o mundo todo enlouquecido?… ele deve ter pensado.  O aeroporto certo, no mundo errado.
 Horas se passaram e ao invés de obterem respostas esclarecedoras, o quebra-cabeças ficou ainda mais complicado.

Finalmente, o homem exigiu ver as autoridades governamentais. 
Após ser detido na sala de segurança do aeroporto por quase 8 horas, as autoridades japonesas ficaram com pena do homem. Eles o enviaram para um hotel próximo ao aeroporto com ordens para que ele esperasse até que uma decisão fosse alcançada sobre seu caso.

Desaparecimento

Dois agentes de imigração ficaram no hotel com ordens para não permitir que o homem deixasse seu quarto.  Após comer uma pequena janta fornecida pelo hotel, o homem sem país foi para seu quarto.
Os guardas mantiveram seus postos no corredor fora do quarto do hotel.  Em momento algum eles escutaram qualquer som vindo do quarto.

Na manhã seguinte os guardas descobriram que o homem havia desaparecido.  A única saída do quarto era pela porta que eles vigiavam e a única janela ficava muito acima de uma rua movimentada.

Os agentes aduaneiros e de imigração, bem como a polícia de Tóquio, deram início à uma busca intensa pelo incrível viajante, mas não obtiveram sucesso.

O homem de um país que não existia nunca foi visto novamente.
Tomara que tenha encontrado seu caminho de volta.






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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O Mistério das Máscaras de Chumbo


O dia 20 de agosto de 1966 marca uma data de mortes e mistério, possivelmente com participação de OVNI em seu desfecho.

Jorge da Costa Alves (18), subiu o Morro do Vintém para soltar pipa. Encontrou dois homens mortos. Aterrorizado, voltou para sua casa e, em poucos minutos, já estavam no local o corpo de bombeiros, policiais, perícias e imprensa.

Os dois corpos estavam próximos um do outro e já cheiravam mal. Vestiam ternos e estavam deitados de costas, ligeiramente encobertos pelo mato. Sobre os corpos, capas impermeáveis. Nenhum sinal visível de violência, nem no local, nem nos corpos. Ao lado, uma garrafa de agua mineral vazia e um pacote com duas pequenas toalhas. No rosto dos cadáveres: MÁSCARAS DE CHUMBO.

A polícia identificou-os pelos documentos encontrados: Manoel Pereira da Cruz e Miguel José Viana. Ambos técnicos em eletrônica residentes em Campos. Além das máscaras de chumbo foram encontrados indícios que complicavam ainda mais as circuntâncias. Uma agenda com sinais e números ao estilo de mensagens cifradas. Bilhetes, entre os quais um que dizia: "16:30 estar no local determinado. 18:30 ingerir cápsulas, após efeito proteger metais aguardar sinal máscara".

Saíram de Campos no dia 17, dizendo que iriam comprar material de trabalho. Um carro também estava em seus planos de compras e traziam Cr$N 2.300,00 (dois e trezentos cruzeiros novos), segundo testemunhas posteriores. O dinheiro não foi encontrado.

Todos os seus passos foram levantados pelos detetives fluminenses. Tomaram o ônibus às 9h e chegaram em Niterói às 14:30h. Compraram num armarinho as capas impermeáveis e num bar a água mineral (Casa Brasília, na rua Cel. Gomes Machado e bar São Jorge, à rua Marquês do Paraná). A moça que os atendeu neste último estabelecimento disse que Miguel parecia muito nervoso e toda hora olhava para o relógio. O tempo estava chuvoso e escurecia rapidamente. Dali foram direto para o local onde foram mortos. Isto no dia 17 de agosto de 66. Seus corpos só foram encontrados no dia 20.

Inicialmente a polícia pensava que eles vieram encontrar um terceiro personagem. Um dos bilhetes e o desapecimento do dinheiro reforçavam esta hipótese, mas, as máscaras de chumbo não combinavam com nada daquilo...

Quando encontrados, os corpos apresentavam uma coloração rosada. Um dos bilhetes falava em "proteger metais e aguardar sinais máscara". As máscaras estavam lá. Típicas para proteger os olhos contra luminosidade intensa, talvez calor exagerado ou mesmo irradiação. Isto tudo autorizava os detetives a pensarem, inclusive, em alguma atividade extraterrena. Estavam os técnicos pensando em contatos com extraterrestres?
 

Declarações de dona Gracinda Barbosa Cortino de Souza, e de seus filhos, que são moradores da região, afirmam que viram no dia 17, um disco voador sobrevoando o Morro do Vintém e que este permanecera ali por algum tempo, exatamente na hora prevista pelos peritos para a morte dos dois homens.

Que os rapazes viviam tentando contatos com seres extraterrestres, ou coisas de outro mundo, disto não se tem dúvidas. Eram dados a práticas místicas, faziam experiências estranhas e perigosas. Uma delas foi realizada na praia de Atafona, perto de Campos. Os dois falecidos mais outros dois companheiros de nomes Élcio Gomes e Valdir, provocaram um fenômeno que resultou numa tremenda explosão. Várias casas das redondezas ficaram ligeiramente danificadas e, durante algum tempo, não se falava em outra coisa na região. Surgiu até uma história de que um disco voador teria caído na praia.

Esta história e outras de igual calibre constam de depoimentos de várias testemunhas intimamente ligadas aos dois.

Neste famoso caso das MÁSCARAS DE CHUMBO, as hipóteses surgidas findam na não determinação da causa mortis. Autópsia e exames em geral não detectaram nenhum elemento tóxico ou estranho nos cadáveres. Afinal, o que eram aquelas cápsulas? Quem as forneceu? Quem as manipulou? São perguntas que, se respondidas, poderiam trazer muita luz ao caso.
 
Mas até hoje o caso permanece um mistério. Foram feitas outras diligências, exumação dos cadáveres, novos exames, inclusive de radiação, ouvidas novas testemunhas em Campos e Macaé, outros levantamentos do local, mais minuciosos e cuidadosos. Contudo, nada mais foi encontrado. Nada que pudesse esclarecer aquelas mortes misteriosas do caso das MÁSCARAS DE CHUMBO...

Recentemente, diversas emissoras de televisão voltaram a tratar do tema em reportagens. 40 anos depois do ocorrido, não houve qualquer pista esclarecedora. Embora envolto em mistério, as evidências apontam para uma ligação com discos voadores. Mas o mistério continua até hoje...
 
 
 
 
 
 
 
 
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

John Titor:O homem que veio do ano de 2036


Esta á uma história muito Estranha.
Em 2 de Novembro de 2000, alguem que se intitulava Timetravel_0 e mais tarde John Titor, começou a deixar mensagens num forum dizendo tratar-se de um viajante do tempo vindo do ano 2036. Uma das primeiras coisas que ele fez foi colocar imagens da sua máquina do tempo e o respectivo manual de operações.

Com o passar das semanas, cada vez mais pessoas começaram a questionar John Titor sobre o porquê de ele estar aqui, a Física relacionada com as viagens no tempo e as suas opiniões sobre o nosso tempo. As suas mensagens provocaram fúria, entretenimento e susto. No dia 21 de Março de 2001, John Titor disse que regressaria ao seu tempo. Depois disso, nunca mais ninguem o "viu". Especulações e investigações para se saber quem era ele e porque estava online, continuam até hoje.

Contudo, pode ser fácil considerar tudo isto como ficção científica mas muitas pessoas que leram as suas mensagens concordam que há algo de assombroso acerca dele e sobre o que ele disse. Além do mais, ele fez uma série de comentários "proféticos" que misteriosamente se tornaram realidade.

Contou que já em 1975 esteve em missão para conseguir um computador chamado IBM 5100, pois seria o único no seu futuro a funcionar com linguagens de programação antigas. Perguntaram á IBM se realmente deu por falta de uma dessas unidades que estavam desativadas e guardadas nos seus depósitos. A resposta foi afirmativa!

Um alto funcionário da IBM revelou que o 5100 era dotado de uma rara interface entre sua codificação e o emulador, a qual permitiria a qualquer programador acessar todos os códigos da IBM, tendo sido por isso que tal função foi suprimida por medo da concorrência e também da espionagem industrial.



John Titor avisou-nos que em 2012 um conflito social nos EUA se tornará pior. Durante esse periodo haverá deslocamento de muitas pessoas para regiões afastadas. Os que permanecerem terão os seus direitos civis abalados em nome da "segurança" (Patriot Act II?).

Uma guerra nuclear acontecerá em 2015 matando cerca de 3 bilhões de pessoas. A doença conhecida como "doença das vacas loucas" ou Creutzfeldt-Jakob Disease se propagará , tornando-se devastadora. Nessa época, só devem ser consumidas carnes e seus derivados cujos animais sejam criados pelos próprios donos. John Titor disse que a China colocaria um astronauta em órbita, o que veio a acontecer em outubro de 2003. Predisse também que os fundamentos da viagens no tempo seriam desvendados no CERN!(matéria que desenvolverei dentro de dias).

Disse ainda que não encontrariam armas de destruição maciça no Iraque após um atentado nos EUA (ataques de 11 de setembro de 2001). Contou-nos que o futuro Presidente dos EUA em 2005 (J.W. Bush) seria dotado de políticas desastrosas que minariam os direitos constitucionais (Patriot Act) e ainda perguntou - Do you really think your government is telling you the truth? What proof do you have of any of that? (Vocês acham mesmo que o governo vos está a dizer a verdade? Que provas têm disso?)

























(manual e logo da unidade militar de John Titor)

Titor previu ainda conflitos futuros entre os EUA e a China, como também se declarou decepcionado com o materialismo do nosso tempo.

Declarou ainda que as pessoas do seu tempo nos viam como aquela Humanidade que teve tudo e não soube aproveitar.
Sobre certas coisas do nosso futuro disse-nos que não deveriam ser reveladas.


 
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Caso Vicente Lucindo


Este é um caso pouco conhecido dos ufólogos brasileiros. O trecho a seguir foi publicado no livro: A História do Ocultismo Século XX: Ciência e Futurologia; página 283 - 289:
"Acontecido aqui mesmo no Brasil, há um caso inédito do aparecimento de um OVNI, cujos tripulantes entraram em contato com um simples cozinheiro e lhe fizeram uma revelação espantosa, que se confirmou plenamente.


O fato é absolutamente desconhecido dos aficcionados do assunto em nosso país, e muito menos no exterior. Aconteceu no ano de 1939, uns dois ou três meses antes do início da Segunda Guerra Mundial. Na época não se falava em discos voadores e nem eles eram vistos com freqüência com o qual passaram a se mostrar nos anos pós-guerra.
 
Distante cerca de quinze quilômetros da sede do município de Coroaci, estado de Minas Gerais, num local conhecido como a Serra do Gordo, uma família de garimpeiros tentava descobrir uma jazida de mica, minério de grande ocorrência na região e muito procurado então por vários países do mundo inteiro, principalmente os Estados Unidos, Alemanha e Japão. O Brasil foi um grande exportador de mica nos anos que antecederam a guerra.
 
Desde o início do ano (1939), a família Lucindo, composta de pai, três filhos rapazes e um genro do velho João Lucindo, abria túneis seguidos na Serra do Gordo, sem conseguir acertar o minério que forçosamente, deveria estar no interior da serra, tendo em vista as suas inúmeras aflorações superficiais na zona explorada.
 
Em meados de julho, João Lucindo, seus filhos e o genro começavam a desanimar com a exploração, mesmo porque os seus recursos já estavam praticamente esgotados. Aquela face da serra, sujeita ao sol da tarde e portanto mais propícia a conter as esperadas concentrações do minério, já fora furada por túneis de 40, 50 e mais metros de profundidade, em diversos níveis, mais alto e mais baixo, e nada compensador fora encontrado.
 
Vicente Lucindo, o mais novo dos três irmãos, era o cozinheiro do grupo. Como a barraca que habitavam fora construída a meia altura da serra, ele tinha um logo percurso de descida e subida para se abastecer da água necessária para a sua cozinha e para o abastecimento pessoal de todo o grupo durante o dia.
 
A pequena nascente ficava no fundo de uma grota que se formava no sopé da serra. Naquele dia de julho, Vicente se atrasara em seus afazeres e o jantar saíra muito tarde. Ele ainda tinha que ir buscar pelo menos uma lata de água para o café da manhã seguinte, além da que era necessária para que seu pai e os outros fizessem sua precária higiene matinal antes de se dirigirem para o trabalho.
 
Começava a escurecer e a lua crescente já aparecia sobre o topo da montanha quando o cozinheiro, lata vazia na mão direita, espingarda cartucheira dependurada ao ombro, começou a descer a trilha íngreme que o levaria à nascente.       
 
A espingarda poderia proporcionar-lhe alguma caça para o dia seguinte. Àquela hora não seria difícil que ele surpreendesse um tatu, um coelho, se tivesse mais sorte até uma paca, atravessando distraidamente o seu caminho. Também não era difícil que uma onça pintada estivesse traiçoeiramente escondida entre a capoeira grossa, a cavaleiro da nascente, à espreita de jantar qualquer presa de carne que andasse menos prevenida por aqueles solidões, naquele início de noite.
 
Vicente Lucindo e seus companheiros estavam acostumados a escutar os seus fortes miados nas bocainas da serra, quase todas as noites, quando já estavam recolhidos em suas camas rústicas. Muitas vezes viram-lhes os rastros nas imediações de sua frágil barraca de pau a pique. Mas naquela especial noite de julho ele teria um encontro inesperado, com seres estranhos, contra os quais a sua famosa e respeitada espingarda cartucheira de nada valeria.
 
E foi assim que ele contou a sua incrível história, que a confirmação física de um dado tornaria verossímil:

'Quando me aproximava da nascente, comecei a ouvir um silvo prolongado, uma espécie de `zziiiiiii` que não fui capaz de identificar com coisa nenhuma conhecida, nada que eu já tivesse ouvido. Comecei a olhar para um e outro lado da trilha, para trás e para frente à procura do que estaria produzindo aquele ciciado. Lembrei-me de olhar para cima e não vi nada.
 
Então pensei que talvez estivesse com algum problema nos ouvidos. Parei à beira da nascente e coloquei a lata no chão. Já escurecera de todo, mas a claridade da luz passando entre as copas das árvores me permitia uma boa visão do local. Lembro-me bem de que eu estava aborrecido e intrigado com o ruído que continuava incessante em meus ouvidos.
 
Abaixei-me para encher a lata de água na bica baixa que tínhamos colocado na nascente. Foi então que notei uma claridade diferente no local. Larguei a lata de repente e me levantei com a espingarda na mão, fiz meia volta em direção à trilha, pronto para disparar contra qualquer coisa que aparecesse. eu tivera a impressão que a claridade fora provocada pelo foco de uma grande lanterna de pilhas, dessas que funcionam com 4 elementos e que muitos garimpeiros apreciam ter para suas saídas noturnas.
 
Verifiquei rapidamente que não havia ninguém nas imediações e que eu me encontrava sempre no centro do círculo de claridade, que calculei que ter uns cinco metros de diâmetro. Interessante foi constatar que embora eu me movesse para um e para outro lado, para frente e para trás, permanecia sempre no centro do círculo. Aos poucos notei que já não podia me mover do lugar onde eu me encontrava, como se meus pés estivessem colados ao chão da clareira. E foi então que eles apareceram.
 
Dois homens altos, tendo no mínimo 1,80 m de altura, pois eram mais altos do que eu, que tenho 1,75 m, com uma espécie de malha metálica cobrindo seus corpos desde os pés até o pescoço.Não pude distinguir bem os seus rostos, envolvidos em uma claridade que me ofuscava, mas pelo que pude perceber eram rostos humanos normais.
 
De repente entendi que estavam me dando uma ordem e olhei para cima: não vi as copas das árvores e, a uma altura de talvez uns cinqüenta metros, pairava um objeto parecendo um enorme prato de fundo para baixo, que girava sobre si mesmo sem sair do lugar e era dele que vinha o silvo que eu escutava.
 
A seguir, ainda olhando para cima, como que magnetizado pelo foco de luz que descia do estanho prato, vi que no seu fundo se abria uma espécie de escotilha através da qual pude perceber claridade intensa dentro dele. Percebi que um, não me lembro bem se os dois, dos seres estranhos que estavam comigo em terra, pegou-me pelo braço e subi com ele, com uma sensação de que estava sendo sugado e entramos pela escotilha da nave misteriosa.
 
Pareceu-me ter entrado num imenso laboratório que poderia se prestar para inúmeros fins. Comecei a sentir certo embotamento nos sentidos, mas percebi bem que me despiam e que a seguir fui submetido a diversos exames fisiológicos. Entendi também que um deles me dizia que nada de mal iria me acontecer e que eles iriam prestar a mim e a minha família um grande benefício.
 
Depois só me lembro de estar chegando de volta a nossa barraca, com a lata cheia de água na cabeça, a minha espingarda no ombro e sem sentir nenhum cansaço pela longa subida. Meu pai e um de meus irmãos já estavam para ir a minha procura, pois eu me demorava mais do que o tempo costumeiro.
 
Na verdade eu me perguntava sobre o benefício que o estranho me prometera fazer à nossa família, enquanto inventava uma história de uma longa perseguição a uma paca, para explicar a minha demora. Não estava nada disposto a sofrer a incredulidade crítica de meu pai, de meus irmão e de meu cunhado, caso lhes contasse o que verdadeiramente acontecera comigo. Iria ser motivo de chistes e risadas deles durante muito tempo. No entanto, se houvesse tal benefício, aí sim, eu poderia revelar o episódio de que fora protagonista.
 
Pouco depois fomos deitar, mas não consegui dormir. Primeiro pelo próprio acontecimento que acabava de ocorrer comigo, segundo porque insistia em rememorar o que aqueles seres estranhos tinham feito comigo no interior da nave, e principalmente, procurava lembrar-me de alguma coisa especial que me tivessem falado.
 
Já era madrugada, o dia não tardaria a amanhecer, quando, não sei se dormindo ou acordado, lembrei-me de que um dos extraterrestres me dissera: `Abram um túnel do outro lado da montanha, no mesmo nível e a 10 metros à direita de uma grande rocha que encontrarão lá sem grande trabalho. Sigam com o túnel em linha reta para o interior da montanha e antes de atingirem a profundidade de 30 metros vão encontrar muito minério de malacacheta`.
 
Lembrava-me bem de ter ouvido o estranho personagem dizer `malacacheta` e não `mica`, como nós dizíamos. Mas eu sabia que a significação era a mesma. Como eu poderia dizer isso a meus companheiros? Depois de muito pensar no assunto, resolvi falar sobre um hipotético sonho que tivera, durante o qual a revelação me fora feita.       
 
Mas antes de fazer isso, eu fui sozinho procurar a rocha. Para minha surpresa e alegria, não foi difícil encontrá-la. Então eu não fora, como estava desconfiado, vítima de uma desconcertante alucinação. Contei a meu pai o 'sonho` e ele foi comigo do outro lado da montanha para ver a grande pedra que eu tinha descoberto. No mesmo dia começamos a abrir o túnel de exploração 10 metros à direita dela. Menos de um mês depois, com 27 metros de profundidade encontramos o minério e, como me fora dito pelo extraterrestre, em grande quantidade.
 
Só então contei a meu pai e a meus irmãos o meu encontro com os seres de outro planeta e a minha estada na sua nave. Falhei-lhes da revelação que me fora feita e que acabávamos de comprovar exata com a feliz descoberta do minério.
 
Mas eles me olharam incrédulos e preferiram achar que tudo não passara realmente de um sonho. Mas eu tinha certeza de que não sonhara. Estivera realmente numa nave extraterrena em companhia de seus tripulantes. No entanto se eu insistisse no fato verdadeiro, à época em que se passou, teria sido taxado e, o que é pior, considerado fraco do juízo.
 
Mas para minha tranqüilidade, vivi até o tempo em que os aparecimentos desses objetos voadores desconhecidos e os contatos com seus estranhos tripulantes tornaram-se bastante comuns em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.'
 
Vicente Lucindo morreu no ano de 1970, pouco depois de ter me revelado o que acabo de narrar. Havíamos combinado sua vinda ao Rio de Janeiro, onde eu pretendia pô-lo em contato com alguns ufólogos para que seu caso pudesse ser devidamente levantado e cadastrado nos arquivos da ufologia brasileira. Sua morte frustrou a nossa intenção, mas não me impediu de fazer a revelação de sua estranha experiência."
 
 
 
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O Caso Augusto Leverger


Ao longo da história da humanidade são inúmeros os registros de aparições de ÓVNIS em céus de todo o planeta. Com o advento da Imprensa tais registros tornaram-se mais comuns como vemos no artigo presente no Boletim Oficial Mensal do Departamento de Relações Públicas da Companhia Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro LTDA., em seu número 59, do mês de maio de 1959. Num artigo sob Título DISCOS VOADORES, de autoria de CJ Dunleo temos vários casos documentados na segunda metade do século 19:
“Não é de hoje que se fala em discos voadores. Deixando de parte as histórias fantásticas, sem qualquer fundamento, registramos algumas observações feitas por astrônomos, capitães de navios e outras pessoas dignas de crédito:
 
Em 1870, o jornal “The Times”, de Londres, noticiava que um estranho objeto elíptico fora visto naquela cidade a 26 de setembro; um ano depois, a 1º de agosto de 1871, diversas pessoas em Marselha, França, avistaram um grande engenho redondo, seguindo lentamente pelos céus; a 22 de março de 1880, eram observados em Kattenau, na Alemanha, vários objetos brilhantes e luminosos, movendo-se em direção oeste e subindo; em 1885, o “Royal Gazette”, de Bermuda, dava notícia de uma coisa redonda misteriosa que voava sobre a ilha; a 1º de novembro do mesmo ano, um astrônomo e diversas testemunhas presenciaram uma enorme máquina redonda voando sobre Adrianópolis, na Turquia; em 1880, um disco oval era visto obre a Nova Zelândia, voando a grande altura; em 1890, diversos objetos aéreos eram percebidos nos céus das Índias Orientais Holandesas, surgindo pouco depois na Inglaterra e Escócia; a 25 de janeiro de 1878, o “Daily News”, de Denison, Texas, EUA, publicava circunstanciado relatório a respeito de um engenho no formato de pires (“saucer”) observado naquele país; em 1897, astrônomos e milhares de pessoas no meio-oeste dos Estados Unidos viram um curioso aparelho no céu, com luzes vermelhas, verdes e brancas, fato esse amplamente noticiado nos jornais de Chicago e diversas cidades; e, assim por diante, para só citar as principais aparições assinaladas no século passado.


Depoimento
No Brasil, quem primeiro avistou um disco voador parece ter sido o capitão de fragata Augusto Laverger. Deixamos aqui a preciosa citação de C.J. Dunlop para nos reportarmos, ainda sob sua inspiração, ao que se lê na “Gazeta Official do Império do Brasil”, quinta-feira, 26 de novembro de 1846, página 295:

“Na expedição das canhoneiras de Cuyabá para a cidad de Assumpção, sob o comando do Capitão de Fragata Augusto Leverger, observou este hum extraordinário phenomeno meteorológico que descreve de maneira seguinte:


 
“”Observei esta noite hum phenomeno como nunca antes vira. As 5 horas de 57 minutos estado o céo perfeitamente limpo, calma, thermometro 60º, hum globo luminoso com instantânea rapidez descreveo huma curva de como 30º, ao rumo NNO. A direção fazia com o horizonte ângulo de, aproximadamente, 75º e 105º e agudo aberto pelo lado do Oeste.
 
“Deixou substituir huma faixa de luz de 5º ou 6º de cumprimento e 30º a 35º de largura, na qual distinguião-se três corpos cujo “brilho era muito mais vivo que o da faxa, e igualava, se não excedia, em intensidade, o da lua cheia em tempo claro. Estavão supepostos e separados um dos outros.
 
O do meio tinha a aparência quase circular; o inferior parecia um segmento de circulo de 120º com os raios extremos quebrados; a forma que apresentava o de cima era de hum quadrilátero irregular; a maior dimensão dos discos seria de 20 a 25’. Emfim acima delles via-se huma lista de luz muito fraca em forma de zig-zag de como 3’ de largura e 5º ou 6º de compriment. A altura angular da faxa grande sobre o horizonte parecia de 8º (Receosos de perder alguma circunstância do phenomeno não recorri ao instrumento para medir essas dimensões).
 
 
 
Foi tudo abaixando com não maior velocidade apparente do que os astros no seu ocaso, porém os globos luminosos mudarão de aspecto tomando a forma elíptica de cada vez mais achatada, e embaciando até parecerem pequenas nuvens. A faixa grande inclinou-se para N até ficar quase horizontal, mas o zig-zag sempre conservou a mesma direção. Depois de 25’ tudo desappareceo, e não houve o mais leve signal de perturbação na atmosfera.

 
Na cidade de Assumpção conversei com o Ministro do Brasil e diversos outras pessoas que testemunharão esta, para nós todos, singular apparição. Huma circunstância que ao me parece muito digna de notar-se, he a direção em que o Ministro observava o phenomeno, não houve engano, pois referia a observação a hum auro cujo azimuth era fácil verificar, a esta direção era proximadamente de ONO, fazendo por tanto hum ângulo de 45º com a de NNO, que eu notara.

Submeti ao calculo trigonométrico esta enorme parallaxe combinada com as posições geográficas de Assumpção e do lugar onde eu observei, e achei que o phenomeno devera verificar-se na região atmospherica e tão somente a 3 légoas de Assumpção.



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Relato Pessoal de Antônio Villas Boas


A Seguir o Relato Oficial de Antônio Villas Boas:

O meu nome é Antônio Villas Boas. Tenho 23 anos de idade e sou lavrador de profissão. Vivo com minha família em uma fazenda que possuímos próximo à localidade de São Francisco de Salles, em Minas Gerais, perto da fronteira de São Paulo.

Tenho 2 irmãos e 3 irmãs, que vivem todos nas redondezas (havia mais 2 que já faleceram). Sou o penúltimo filho.

Todos nós, os homens, trabalhamos na fazenda. Temos muita plantação e vários roçados e possuímos um trator a gasolina (International) para aragem da terra. Em época de cultivo trabalhamos com o trator em dois turnos: de dia o serviço é feito por 2 trabalhadores pagos para isso; à noite em geral trabalho eu, sozinho (durmo então durante o dia), ou às vezes, em companhia de um dos meus irmãos. Sou solteiro e tenho boa saúde.

Trabalho muito e faço também um curso por correspondência, estudando quando posso. Vim ao Rio com sacrifício, pois não podia abandonar o serviço na fazenda; faço muita falta. Achei que era meu dever vir contar os estranhos acontecimentos em que estive envolvido e estou disposto a seguir o que os senhores acharem melhor – inclusive a prestar depoimento perante as autoridades civis ou militares. Gostaria contudo de voltar o mais depressa que puder, pois muito me preocupa a situação em que deixei a fazenda.

Tudo começou na noite de 5 de outubro de 1957. Houve uma festa lá em casa e fomos dormir mais tarde, às 11 horas. Estava no quarto com meu irmão João Villas Boas. Por causa do calor, resolvi abrir a janela do quarto, que dava para o curral.

Vi então, no centro do curral, um reflexo fluorescente prateado, mais claro do que a luz da Lua, iluminando todo o solo. Era uma luz , muito branca, que não sei de onde vinha. Era como se viesse do alto, como a luz de um farol de automóvel que se espalhasse ao iluminar o lugar onde batesse.

Mas não se via nada no céu, de onde pudesse vir a luz. Chamei meu irmão e mostrei a ele,. Mas ele é muito cismado e disse que era melhor irmos dormir. Fechei então a janela e nos deitamos. Algum tempo depois, não conseguindo dominar a curiosidade, voltei a abrir a janela. A luz ainda estava lá, no mesmo lugar. Eu ia observar mais um tempo, mas aí a luz começou a mover-se devagar, vindo na direção da janela. Fechei-a então depressa, tão depressa que ela bateu com força e o barulho acordou meu irmão, que já estava dormindo. Juntos vimos na escuridão do quarto, a luz penetrar por pequenas frestas da janela e depois mover-se para o telhado, iluminando por entre as telhas. Aí ela se apagou e não voltou mais...

O segundo episódio ocorreu na noite de 14 de outubro. Devia ser entre 3:30 ou 10 horas da noite, mas não posso garantir pois estava sem relógio. Trabalhava com o trator arando um campo, acompanhado pelo meu outro irmão. De repente vimos uma luz muito forte (a ponto de ferir a vista), parada na ponta norte do campo.

Quando a vimos já estava lá e já era grande, arredondada e do tamanho aproximado de uma roda de carroça. Parecia estar a uns 100 metros de altura e era de uma cor vermelho-clara, iluminando uma larga área do solo.

Devia haver algum objeto dentro da luz, mas não posso afirmar pois ela era muito forte para que se pudesse ver mais alguma coisa. Chamei meu irmão para irmos lá ver o que era aquilo. Ele não quis e eu fui sozinho.

Quando cheguei perto a coisa se mexeu de repente e, numa velocidade enorme, se moveu para a ponta sul do campo, aonde parou. Fui atrás outra vez. Mesma manobra, voltando agora para o local inicial.

Continuei tentando e a manobra se repetiu durante 20 vezes. Já estava cansado e desisti, voltando para junto do irmão.

A luz ficou imóvel por mais alguns minutos, parada ao longe. De vez em quando parecia emitir raios em todas as direções, como os do Sol poente, com cintilações.

A seguir, sumiu repentinamente, como se apagasse. Não tenho certeza pois não me lembro se olhei só naquela direção o tempo todo. Talvez tenha olhado em outra direção por alguns segundos e ela tenha subido com velocidade e desaparecido antes que eu olhasse para lá de novo.


No dia seguinte, 15 de outubro, eu estava sozinho trabalhando com o trator no mesmo local. A noite estava fria e o céu muito limpo, com muitas estrelas.

Exatamente à uma da madrugada, vi de repente uma estrela vermelha no céu. Parecia mesmo uma dessas estrelas maiores, de brilho forte.

Mas na era, pois começou a aumentar rapidamente de tamanho, como se estivesse vindo em minha direção. Em poucos instantes transformou-se num objeto ovóide, fortemente luminoso, que vinha em minha direção a uma velocidade espantosa. Tão depressa ele se deslocava que, antes que eu pudesse pensar no que devia fazer, já estava por cima do trator.

Aí esse objeto parou de repente e desceu até ficar a uns 50 metros acima de minha cabeça, iluminando o trator e o chão em volta como se fosse dia, com uma luz vermelho-clara tão forte que dominava a luz dos faróis do trator, que estava acesa.

Naquele momento, fiquei apavorado, pois não sabia o que era aquilo. Pensei em fugir com o trator, mas vi que, com a pouca velocidade que o mesmo desenvolvia seriam poucas as chances de sucesso, dada a grande velocidade mostrada pelo objeto – que continuava parado em pleno ar.

Pensei também em saltar ao chão e sair correndo, mas a terra fofa, revolvida pelas pás do trator, seriam um obstáculo difícil na escuridão. Seria penoso correr enterrando as pernas até o joelho naquele chão traiçoeiro; se metesse o pé em um buraco poderia até mesmo quebrar uma perna. Fiquei naquela agonia sem saber o que fazer, talvez uns dois minutos.

Mas aí o objeto luminoso se moveu para a frente e parou de novo a uns 10 ou 15 metros adiante do trator. Começou então a descer para o solo, bem lentamente.

Foi se aproximando e pude ver,  pela primeira vez, que era um aparelho estranho, de feitio meio arredondado, todo rodeado de pequenas luzes arroxeadas e com um grande farol vermelho na frente, de onde parecia vir toda aquela luz que eu vira quando o mesmo estava mais alto e que impedia que eu pudesse distinguir qualquer outro detalhe.

Mas agora via-se perfeitamente a forma daquela máquina, que era semelhante à um grande ovo alongado, com três hastes de metal, grossas na base e afinando na rescência (ou luz fluorescente como a de um anúncio luminoso) avermelhada, da mesma cor do farol dianteiro. Na parte superior, havia uma coisa que girava a grande velocidade, também emitindo uma forte luz fluorescente avermelhada.

Essa luz foi mudando para uma cor esverdeada no momento em que o aparelho diminuiu sua marcha de descida, para pousar, isto correspondendo, na minha impressão, a uma diminuição na velocidade de rotação daquela parte giratória, que pareceu tomar a forma de um prato circular, ou cúpula achatada, nesse momento (antes não se distinguia forma).

Não posso afirmar se esta era a forma real daquela parte giratória que havia no topo do aparelho, ou simplesmente uma impressão dada pelo movimento porque em nenhum momento (mesmo depois, com o aparelho no solo) a mesma deixara de girar.

 
 
Naturalmente, a maior parte dos detalhes que estou descrevendo foram observados mais tarde. Naquele primeiro momento, eu estava muito nervoso e angustiado para ver muita coisa.
 
De tal forma que, quando vi três suportes de metal (formando um tripé) surgiram debaixo, quando este estava já a poucos metros do solo – perdi completamente o pouco controle que me restava. Aquelas pernas de metal eram evidentemente para escorar o peso do aparelho quando ele tocasse o chão em seu pouso.
 
Não cheguei a ver isto acontecer porque pus o trator em movimento (o motor estava trabalhando o tempo todo) e movi-o para um lado, tentando abrir caminho para fugir.
 
Mas não havia chegado a andar poucos metros quando o motor “morreu” de repente e, ao mesmo tempo, as luzes dos faróis se apagarem sozinhas. Não consigo explicar como aquilo aconteceu pois a chave do motor estava ligada e os faróis continuavam também ligados.
 
Quis fazer funcionar de novo o motor, mas o motor de arranco estava isolado e não deu sinal de vida. Abri então a porta do trator, do lado oposto àquele onde se encontrava o aparelho, e saltei para o chão, começando a correr.
 
Mas parece que perdi um precioso tempo tentando movimentar o trator, pois não dera mais do que alguns passos quando meu braço foi agarrado por alguém.
 
 
 
 
O meu perseguidor era um homem baixo (batia no meu ombro), vestido de uma roupa estranha. No meu desespero, girei o corpo com violência e dei-lhe um forte empurrão que o desequilibrou.
 
Foi obrigado então a me largar e a cair para trás com o impulso, perdendo o equilíbrio e indo ao chão onde caiu de costas, a uns dois metros de distância.
 
Procurei aproveitar a vantagem obtida, para continuar a fuga, mas fui atacado ao mesmo tempo por outros indivíduos, pelos lados e pelas costas. Agarraram-se pelos braços e pernas e me levantaram do chão, o que me tirou qualquer possibilidade de defesa. Podia apenas me debater e retorcer o corpo, mas a pegada deles era firme e não me largaram.
 
Comecei a gritar por socorro e em altos brados a xinga-los, e a exigir que me soltassem. Notei, à medida que me arrastavam para o aparelho, que a minha falação os deixava como que surpreendidos ou curiosos pois paravam de caminhar e olhavam para o meu rosto com atenção toda a vez que eu falava – embora sem afrouxar a firmeza com que me seguravam. Isso me acalmou um pouco em relação às suas intenções, mas nem por isso deixei de lutar.
 
Dessa maneira me transportaram até junto do aparelho, pousado a uns dois metros do solo, sobre as três escoras metálicas de que já falei. Havia uma porta aberta na metade traseira do mesmo. Essa porta se abria de cima para baixo, formando como que uma ponte de cuja ponta estava presa uma escada metálica, feita do mesmo metal prateado que havia nas paredes do aparelho. Essa escada se havia desenrolado até o chão.
 
Fui içado por ali, tarefa que não foi fácil para eles. A escada era estreita, mal dando espaço para duas pessoas, uma do lado da outra.
 
Além disso, era móvel e flexível, oscilando de um lado para outro com os meus esforços para me libertar. Havia também um corrimão de metal roliço de cada lado, da grossura de um cabo de vassoura talvez, para ajudar a subida; a ele me aferrei várias vezes procurando impedir que me levassem – obrigando-os a parar para soltar minhas mãos.
 
Esse corrimão era também flexível (tive a impressão mas tarde, ao descer, de que não era inteiriço, mas sim formado de pequenas peças de metal, articuladas umas dentro das outras).
 
Uma vez dentro do aparelho, vi que havíamos entrado numa pequena saleta quadrada, cujas paredes de metal polido brilhavam com reflexos à luz fluorescente que vinha do teto, emitida por numerosas lâmpadas pequenas, de forma quadrada, embutidas no metal desse teto e dispostas por toda a volta do mesmo, por fora junto às paredes.
 
Não pude contar quantas eram pois logo me puseram de pé no chão – assim que a porta externa subiu, trazendo na ponta a escada enrolada e presa, e se fechou. A iluminação era tão boa que parecia de dia. Mesmo nessa luz branca fluorescente não se distinguia mais onde era a porta de fora, que ao se fechar parecia ter se transformado em parede.
 
Eu só sabia onde ela estava por causa da escada de metal presa na parede. Não pude observar mais detalhes porque um dos homens – eram cinco ao todo – me fez sinal com a mão para que caminhasse na direção de uma outra sala que se entrevia por uma porta aberta do lado oposto à porta de fora.
 
Não sei se essa segunda porta já estava aberta quando entrei, pois só então olhei naquela direção. Resolvi obedecer, pois continuavam me segurando e agora eu estava fechado lá dentro, com eles, e não tinha outra escolha.
 
Deixamos a saleta, na qual não vi nenhum móvel ou aparelho, e entramos numa sala ampla, bem maior e de formato meio oval, iluminada conforme o ouro compartimento e com as mesmas paredes de metal prateado e polido. Acho que essa sala era no centro do aparelho porque no meio dela havia uma coluna de metal que ia do teto até o chão, larga encima e em baixo, e afinando bastante para o meio. Era roliça e parecia maciça; acho que não estava ali só para enfeitar; devia servir para escorar o peso do teto.
 
Os únicos móveis que pude observar foram uma mesa deforma esquisita, que estava num dos cantos da sala, rodeada de várias cadeiras giratórias sem encosto (semelhantes aos bancos que se usam em bares). Era tudo do mesmo metal branco.
 
Tanto a mesa como os bancos afinavam para baixo num pé único que era preso ao chão (no caso da mesa), ou articulado a um anel móvel preso por três suportes que saíam para cada lado e se embutiam no chão (no caso dos bancos, permitindo assim que as pessoas neles sentadas virassem para qualquer lado).
 
Durante intermináveis minutos, permaneci de pé, sempre seguro pelos braços por dois homens enquanto aquele povo estranho me observava e conversava a meu respeito.
 
Digo conversar, apenas na maneira de dizer, pois na verdade o que eu ouvia não tinha nenhuma semelhança com uma conversa de gente: eram ganidos, ligeiramente semelhantes aos uivos de um cão. Essa semelhança era muito pequena, mas é a única que posso dar para tentar descrever aqueles sons – diferentes de tudo o que já ouvi até hoje.
 
Eram ganidos lentos, nem muito finos nem muito roucos, uns mais longos, outros mais curtos, às vezes com vários sons diferentes ao mesmo tempo, outras com um tremido no fim. Mas eram somente sons, ganidos de animais, não se distinguindo nada que pudesse ser tomado como o som de uma sílaba ou de uma palavra em língua estrangeira. Nada disso.
 
Para mim era tudo igual e por isso não pude guardar nenhum nome. Não posso explicar como é que aquela gente não podia se entender daquele jeito. Ainda fico arrepiado quando penso naqueles sons. Não posso reproduzir para os senhores: só ouvindo.... A minha voz não dá para isto.
 
Quando aqueles ganidos terminaram, parece que tinham resolvido tudo, pois me agarram de novo – os cinco – e começaram a tirar minha roupa, à força. Entramos em luta novamente, eu resistindo e procurando dificultar ao máximo o que eles faziam.
 
Protestava e xingava também em altos brados. Eles evidentemente não entendiam, mas paravam e olhavam para mim, como se quisessem mostrar que eram educados.
 
Por outro lado, embora usando força, em nenhum momento me machucaram seriamente e nem sequer rasgaram a minha roupa, a não ser talvez a camisa (que já estava rasgada antes, razão pela qual não posso ter certeza).
 
 
 
Fiquei inteiramente despido, já de novo angustiado e sem saber o que me ia acontecer. Um dos homens estão se aproximou, tendo à mão uma coisa que parecia uma espécie de esponja molhada e, com ela começou a me passar um liquido na pele.
 
Não devia ser esponja dessas de borracha comum, porque era muito mais macia. O líquido era claro como água mas bem grosso e sem cheiro; pensei que fosse algum óleo, mas estava enganado, pois a pele não ficou engordurada nem oleosa.
 
Passaram-me esse líquido pelo corpo todo. Eu estava com frio, porque a temperatura da noite lá fora já baixa, sendo nitidamente mais baixa dentro das duas salas do aparelho; quando me tiraram a roupa comecei a tiritar e agora ainda batia esse líquido para piorar a situação. Mas parece que o mesmo secou depressa e no fim não senti muita diferença.
 
 
Fui então conduzido por três daqueles homens na direção de uma porta que havia do lado oposto aquela por onde entráramos, que estava fechada. Fazendo-me sinais com as mãos, para que os acompanhasse, e ganindo um para outro de vez em quando, foram eles naquela direção – e eu no meio.
 
O que ia na frente empurrou qualquer coisa no meio da porta (não pude ver o que era; talvez uma argola ou um botão) que se abriu para dentro, em duas metades, como uma porta de bar. Essa porta, quando fechada, ia do teto até o chão e trazia na parte de cima uma espécie de letreiro (ou coisa parecida) luminoso, traçado em sinais vermelha que, por efeito da luz, pareciam fazer saliência a uns dois dedos para fora do metal da porta.      
 
Essa escrita foi a única coisa do tipo, que vi dentro do aparelho. Eram rabiscos completamente diversos das letras que conhecemos. Procurei guardar de memória a sua forma e foram aqueles que desenhei na carta que mandei para o Sr. Martins. Atualmente já esqueci como é que eles eram.
 


Mas voltando aos acontecimentos: a tal porta dava entrada para um saleta menor, meio quadrada, iluminada como as outras. Depois que entramos (eu e dois dos homens) a porta se fechou atrás de nós.

Olhei então para trás e vi uma coisa que não sei explicar: não havia mais porta nenhuma; apenas se via uma parede igual às outras. Não sei como é que se fazia aquilo. Só se com a porta fechada descia algum anteparo que a escondia da gente. Não pude compreender.

O certo é que logo depois a parede se abriu e era porta de novo; não vi nenhum anteparo. Desta vez entraram mais dois homens trazendo nas mãos dois tubos de borracha vermelha, bem grossos, com mais de um metro de comprimento cada um.

Se havia alguma coisa dentro deles, não posso dizer, mas sei que eram ocos. Um desses tubos foi adaptado numa das pontas de um frasco de vidro em forma de cálice.

A outra ponta tinha um biquinho, em forma de ventosa, que foi aplicado na pele do meu queixo, aqui onde os senhores estão vendo esta mancha escura que ficou como cicatriz. Antes disso, porém, a homem que executou a manobra espremeu o tubo com as mãos, como se tivesse posto o ar para fora.

Não senti nenhuma dor ou picada na hora; apenas a sensação de que minha pele estava sendo sugada ou aspirada. Mas depois o lugar ficou ardendo e coçando (e mais tarde verifiquei que a pele tinha ficado ferida, esfolada). Aplicada a borracha, vi meu sangue entrar pouco a pouco dentro do cálice – enchendo-o até a metade.

Aí a coisa parou e o tubo foi retirado e substituído pelo outro lado onde os senhores podem ver outra mancha escura igual à outra. Dessa vez o cálice encheu até encima e a ventosa foi então retirada. A pele também ficou esfolada no lugar, ardendo e coçando como no outro lado. Fui então deixado sozinho; os homens saíram e a porta se fechou sobre eles.
     
 
Fiquei largado ali durante um tempo enorme, talvez mais de meia hora. A sala era vazia, contendo no centro um largo divã como que um leito, mas sem encosto e sem beirada, e um tanto incômodo para alguém deitar, por ser muito alto no meio, onde existia um verdadeiro cocuruto. Mas era macio, como se fosse feito de borracha esponjosa, sendo recoberto por um tecido grosso de cor cinzenta e também macio. Sentei-me ali pois sentia-me cansado depois de tanta luta e tantas emoções.
 
Foi então que senti um cheiro estranho e comecei a ficar enjoado. Era como se estivesse respirando uma fumaça grossa que abafasse a minha respiração, dando a impressão de um cheiro de pano pintado que estivesse sendo queimado.
 
E estava mesmo, porque examinando as paredes notei pela primeira vez a existência de uma porção de tubinhos metálicos que faziam saliência à altura de minha cabeça, fechados mas cheios de furinhos (como os de chuveiro) por onde saia uma fumacinha cinzenta que se dissolvia no ar. Essa fumaça era a causa daquele cheiro.
 
Não sei se já estava saindo na hora em que os homens me tiraram o sangue, pois não reparei. Talvez com a porta abrindo e fechando o ar tivesse circulado melhor, não dando para que eu notasse. Mas agora, de qualquer forma, não me sentia vem e o enjôo aumentou tanto que acabei vomitando muito.
 
 Depois disso, passou a dificuldade de respirar, mas continuei um pouco enjoado com o cheiro daquela fumacinha. Fiquei muito desanimado depois disso, esperando que acontecesse alguma coisa.



 
 
É preciso que eu diga que até aquele momento não fazia a menor idéia sobre o aspecto físico e as feições daqueles homens estranhos. Todos os 5 estavam bem vestidos com um macacão bem justo, feito de pano grosso, porém macio, de cor cinzenta com listrinhas pretas aqui e ali.
 
Essa roupa ia até o pescoço onde se unia com uma espécie de capacete feito de um material da mesma cor (não sei o que era) que parecia mais duro e era reforçado atrás e na frente por lâminas de metal fino, uma delas triangular, à altura do nariz.
 
Esse tal capacete escondia tudo, deixando ver apenas os olhos daquelas pessoas – por trás de dois vidros circulares, parecidos com as lentes que se usam em óculos. Através desses vidros os homens me olhavam; os olhos deles me pareciam bem menores do que os nossos – mas acho que isso era um efeito dos vidros. Todos tinham olhos claros, que me pareceram azuis, mas não posso garantir.
 
Acima dos olhos, os referidos capacetes tinham uma altura que devia corresponder ao dobro da largura de uma testa normal. É provável que houvesse mais alguma coisa por dentro dos mesmos, por cima das cabeças, mas por fora não se via nada. Mais acima, do meio da cabeça, saíam três tubos circulares e prateados (não posso dizer se eram de borracha ou metálicos), um pouco mais finos do que uma mangueira de jardim.
 
Esses tubos, um no centro e mais um de cada lado, eram lisos e se dirigiam para trás e para baixo, curvando-se na direção das costas. Lá eles penetravam na roupa, aonde se embutiam de maneira que não sei explicar, um no meio – na altura da coluna vertebral; os outros dois, um para cada lado, se fixavam abaixo dos ombros a uns quatro dedos por baixo das axilas – quase do lado, no limite com as costas. Mão notei nada, nenhuma saliência ou volume que indicasse estarem esses tubos presos a alguma caixa ou aparelho escondido por baixo da roupa.
     
 
As mangas do macacão eram compridas e justas indo até os punhos onde se continuavam por luvas grossas, da mesma cor, com cinco dedos, que deviam atrapalhar um pouco o movimento das mãos; observei, a esse respeito, que os homens não conseguiam dobrar completamente os dedos de modo a tocar a palma com as pontas .
 
Essa dificuldade não os impediu, entretanto, de me agarrarem com firmeza, nem de manipularem com habilidade as borrachas para extrair meu sangue.
 
A roupa devia ser uma espécie de uniforme, porque todos os tripulantes do aparelho traziam à altura do peito uma espécie de escudo vermelho do tamanho de uma rodela de abacaxi, que de vez em quando apresentava reflexos luminosos; não era luz própria mas reflexos semelhantes aos de um vidro vermelho desses que ficam por cima dos faróis traseiros dos automóveis, que refletem a luz do farol de um outro carro, como se tivessem também uma luz.
 
Desse escudo no centro do peito partia uma tira de tecido prateado (ou metal laminado) que se unia a um cinto largo e justo, sem fivela ou presilha, de cuja cor não me recordo. Não havia nenhum bolso visível nem nenhum dos macacões; não vi também botões.
 
As calças eram também justas nas cadeiras, coxas e pernas – não se vendo nenhuma dobra ou folga de tecido. Não havia separação nítida no tornozelo entre a calça e os sapatos, que se continuavam um pelo outro, fazendo parte do mesmo conjunto.
     
As solas, nos pés, apresentavam, entretanto, um detalhe diferente: eram muito grossas, com dois ou três dedos de largura e bem viradas (ou arqueadas para cima) na frente, de modo que a ponta dos sapatos, que tinham o aspecto de sapatos de tênis, eram bem arqueadas para o alto – mas sem afinar em ponta como sapatos dos livros de histórias de antigamente.
 
Pelo que vi depois, esses sapatos deveriam ser bem maiores dos pés que os calçavam. Apesar disso, o andar daqueles homens era bem desembaraçado e eles eram bem ligeiros nos seus movimentos. Aquele macacão todo fechado, contudo, talvez atrapalhasse um pouco, pois os homens andavam sempre um pouco empinados.
 
Todos eles eram da minha altura (talvez um pouco mais baixos, por causa do capacete), com exceção de um só – o tal que me agarrara primeiro lá fora - ; esse não chegava a altura do meu queixo. Todos pareciam robustos, mas não o bastante para que eu tivesse medo de apanhar se lutasse com um de cada vez. Acho que em campo aberto poderia enfrentar qualquer um deles de igual para igual.
     
Mas isso não vinha ao caso na situação em que eu me encontrava...
 
 
 
 
Depois de um intervalo enorme, um ruído na porta me fez levantar sobressaltado. Voltei-me naquela direção e tive uma surpresa enorme. A porta estava aberta e uma mulher vinha entrando, caminhando em minha direção. Ela vinha devagar, sem pressa nenhuma, talvez se divertindo com a surpresa que devia estar estampada no meu rosto. Eu estava boquiaberto e não era para menos. A tal mulher estava despida, tanto como eu, e descalça. Além disso, era bonita, embora de um tipo diferente dos que eu conhecia.
 
Tinha cabelos de um loiro quase branco (como esses que são oxigenados), lisos não muito abundantes, compridos até o meio do pescoço e com as pontas encaracoladas para dentro; estavam repartidos no meio da cabeça.
 
Os olhos eram azuis e grandes, mas compridos do que circulares, por serem rasgados para fora (conforme esses olhos pintados com lápis, dessas moças que se fantasiam de princesa árabe, que ficam parecendo rasgados; era assim, com a diferença de que aqui a coisa era natural, pois não havia pintura nenhuma). O nariz era reto, sem ser pontudo, nem arrebitado, nem grande demais.
 
O contorno do rosto é que era diferente porque as maças eram muito salientes, chegando a alargar bem a face (muito mais do que nas índias); mas logo abaixo o rosto se afinava muito terminando num queixo pontudo; esse aspecto dava à metade inferior do seu rosto uma forma bem triangular. Os lábios eram muito finos; quase não se viam; as orelhas (que vi depois) eram pequenas e não pareciam diferentes das que eu conheço. As tais maças salientes davam a impressão de que havia um osso protuberante por baixo; mas como vi depois, eram macias e carnudas ao toque, não dando a impressão de osso. O corpo era muito mais bonito do que qualquer outra mulher que eu já conheci: magro, com seios empinados e bem separados, com cintura fina e barriga pequena, com quadris mais desenvolvidos e coxas grossas. Os pés eram pequenos; as mãos eram compridas e finas; os dedos e as unhas eram normais. Ele era bem mais baixa do que eu, batendo a sua cabeça no meu ombro.
     
Essa mulher se aproximou em silêncio, olhando-me com uma expressão de quem desejava alguma coisa, e me abraçou de repente, começando a esfregar a cabeça no meu rosto, de um lado para o outro. Ao mesmo tempo senti o seu corpo todo colado ao meu, fazendo também movimentos. A sua pele era banca (conforme as louras daqui) e cheia de sardas nos braços. Não senti nenhum perfume nessa pele, nem nos cabelos – a não ser o cheiro de mulher.
       
A porta se havia fechado de novo. Sozinho ali com aquela mulher me abraçando e dando a entender claramente o que queria , comecei a ficar excitado... Isso parece incrível, na situação em que eu me encontrava. Penso que o tal líquido que me esfregaram na pele foi a causa disso; eles devem ter feito de propósito. Só sei que fiquei numa excitação incontrolável, coisa que nunca me acontecera antes.
 
Acabei esquecendo tudo e agarrei-a, correspondendo aos seus carinhos com outros maiores. Fomos terminar no divã, onde tivemos relações pela primeira vez. Foi um ato normal e ela se comportou como qualquer mulher. Depois houve um período de carícias comuns, seguido de nova relação. No fim ela estava cansada e respirando depressa.
 
Eu continuava animado, mas ela agora negaceava, procurando fugir, me evitar, acabar com aquilo... Quando notei isso, desanimei também. Era isso o que queriam comigo; um bom reprodutor para melhorar a raça deles. Tudo aquilo no fim não era mais nada do que isso. Fiquei com raiva, mas logo resolvi não dar importância.
 
De uma maneira ou outra, tinha passado momentos agradáveis. É claro que eu não quereria aquela mulher em troca por uma das nossas. Gosto de uma com quem a gente possa falar, conversar e se entender – que não era o caso. Além disso, certos ganidos que ouvi da sua boca, em alguns momentos, quase que estragavam tudo, dando a desagradável impressão de que eu estava com um animal.
     
Uma coisa que observei foi que ela não me beijou nenhuma vez. Certo momento, lembro que abriu a boca como se fosse fazê-lo, mas a coisa terminou numa dentada leve no meu queixo, mostrando que não era beijo.
     
Outra coisa que notei, foi que, excetuando a cabeleira, todos os seus demais pelos eram bem vermelhos, quase cor de sangue.

Pouco depois de nos termos separado, a porta se abriu. Apareceu um dos homens na soleira e chamou a mulher. Ela saiu então. Mas antes de sair voltou-se para mim, apontou para a barriga, em seguida para mim, com um sorriso no rosto ou algo semelhante, e apontou finalmente para o céu – na direção do sul, penso eu.

E foi embora... Interpretei esse sinal como um aviso de que ela voltaria para me levar com ela para as paragens onde vivia. Por causa disso, estou com medo até hoje. Se eles voltarem para me apanhar de novo estou perdido. Não quero me separar dos meus e da minha terra, de modo nenhum.
     
A seguir entrou o homem, trazendo a minha roupa no braço. Fez sinal para que eu me vestisse, o que obedeci em silêncio. Minhas coisas estavam todas nos bolsos; só estava faltando o isqueiro (marca “Homero”). Não sei se foi tirado por eles sou se eu o perdi durante a luta em que fui capturado. Por isso, nem tentei reclamar.
 
     
Em seguida saímos voltando para a outra sala. Três dos tripulantes do aparelho estavam sentados nas tais cadeiras giratórias, conversando (ou melhor, ganindo) entre si. Aquele que estava comigo foi se juntar a eles, largando-me no meio da sala, perto da mesa de que já falei antes. Eu estava agora inteiramente calmo, pois sabia que não me fariam nenhum mal.
 
Procurei passar o tempo, enquanto eles decidiam suas coisas, tentando observar e guardar todos os detalhes do que eu via (paredes, móveis, uniformes, etc). Em dado momento, notei que encima da mesa, perto dos homens, estava uma caixa quadrada tendo uma tampa de vidro que protegia um mostrador como o de um relógio despertador.
 
Havia um ponteiro lá dentro, e uma certa marca preta no lugar que correspondia às 6 horas; marcas iguais existiam nos pontos correspondentes às 9 horas e 3 horas; no lugar do meio-dia, era diferente: havia 4 marquinhas pretas, uma do lado da outra.
 
Não sei explicar o seu significado – estavam lá assim. No princípio, pensei que o aparelho fosse uma espécie de relógio porque, de vez em quando, um dos homens olhava para ele. Mas penso que não era, pois fiquei de olho bastante tempo e, nenhum momento vi o ponteiro se mexer. Se fosse relógio isso tinha que acontecer, porque o tempo estava passando.
     
Tive então a idéia de pegar aquilo para mim. Lembrei-me de que precisava de levar alguma coisa para poder provar a minha aventura. Se pegasse aquela caixa o problema estaria resolvido. Podia ser que, vendo o meu interesse, os homens resolvessem dá-lo de presente.
 
Aproximei-me devagar; eles estavam distraídos; de repente segurei o tal instrumento nas mãos, tirando-o da mesa. Era pesado; talvez tivesse mais de 2 kg... Mas não tive tempo nem de examina-lo, Um dos homens se levantou mais ligeiro do que um pé de vento e me arrancou o mesmo das mãos, com raiva, empurrando-me para o lado, e voltando a coloca-lo no mesmo lugar. Afastei-me então, até sentir as costas tocarem na parede mais próxima. Fiquei ali quieto, embora não tivesse medo.
 
Não tenho medo de homem. Mas era melhor fica quieto, porque estava provado que eles só me respeitavam quando eu me comportava. Para que tentar alguma coisa que não teria resultado? A única coisa que fiz foi arranhar a parede com as unhas, procurando ver se arrancava uma lasquinha daquele metal. Mas a unha escorregava na parede polida, sem encontrar ponto de apoio. Além disso, o metal era duro e não consegui nada. Fiquei então esperando.
     
Não vi mais a mulher, depois que ela saiu da outra sala. Mas acho que descobri onde ela estava. Na parte da frente daquela sala ampla havia uma outra porta através da qual eu não passara. Estava agora ligeiramente entreaberta e, de vez em quando, eu ouvia ruídos vindos de lá, como que produzidos por uma pessoa se movimentando. Só podia ser a mulher, pois os outros estavam todos na mesma sala que eu, dentro dos seus uniformes e capacetes esquisitos. Imagino que aquele compartimento dianteiro devia corresponder à sala onde ficaria o piloto que dirigia o vôo do aparelho. Mas não pude verificar.
     
Finalmente, um daqueles homens se levantou e me fez sinal para que o acompanhasse. Os outros continuaram sentados, sem olhar para mim. Caminhamos na direção da saleta de entrada e fomos até a porta de entrada, que estava aberta de novo, com a escada já desenrolada.
 
Não descemos, entretanto, pois o homem fez sinal para que o acompanhasse na direção da plataforma que existia dos dois lados da porta. Essa plataforma rodeava o aparelho e, embora estreita, permitia que se caminhasse sobre o mesmo, para os dois lados.
 
Fomos primeiro para a frente. Notei então uma espécie de protuberância metálica, de forma quadrada, que se projetava para fora, para o lado (havia uma coisa igual do lado oposto), bem encaixada no corpo do aparelho.
 
Se essas peças não fossem tão pequenas, julgaria que eram asas para ajudar no vôo. Pelo seu aspecto, penso que talvez servissem para se mover para cima ou para baixo, orientando a subida ou descida. Confesso, contudo, que em nenhum momento, mesmo quando o aparelho levantou vôo, notei qualquer movimento. Não sei portanto explicar para que serviam.
     
Mais a frente o homem apontou mostrando as três hastes de metal de que já falei, solidamente encravadas nos lados (as duas laterais) e no bico dianteiro do aparelho (a do meio), como se fossem três esporões metálicos.      
 
Eram semelhantes na forma e no comprimento, bem grossas na base e afinadas nas pontas. A posição de cada uma era horizontal. Não sei se eram do mesmo metal do aparelho, porque delas saiam uma ligeira fosforescência avermelhada, como se estivessem em brasa. Não senti, contudo, nenhum calor...
 
Na base de implantação de cada uma, um pouco mais acima, estavam embutidas lâmpadas avermelhadas. As laterais eram menores e redondas; e da frente era enorme, também redonda, correspondendo ao farol dianteiro do aparelho que já descrevi.
 
Inúmeras lâmpadas quadradas, pequenas e semelhantes, no aspecto, às que eram usadas na iluminação interna, contornavam o bojo do aparelho, pouco acima da plataforma sobre a qual lançavam uma luz arroxeada.
 
Na frente, a plataforma não dava a volta completa, acabando junto de um vidro largo e grosso, meio saliente e alongado para os lados, fortemente embutido no metal. Talvez servisse para se olhar para fora, já que não havia janelas em parte alguma. Acho, entretanto, que isso seria difícil pois esse vidro, olhando de fora, parecia muito embaçado. Olhando de dentro não sei como seria, mas não creio que pudesse ser mais transparente.
 
     
Penso que tais esporões dianteiros soltavam a energia que puxava o aparelho para frente, porque quando este levantou vôo, a luminosidade dos esporões aumentou de brilho extraordinariamente, confundindo-o completamente com a luz dos faróis.
     
Vista a parte da frente do aparelho, voltamos para trás (a parte de traz era mais bojuda que a da frente). Mas antes paramos por alguns momentos e o homem apontou para cima, para onde giravam a enorme cúpula em forma de prato. Girava devagar, toda iluminada por uma luz fluorescente esverdeada que não sei de onde saía.
 
Mesmo com aquele movimento lento, ouvia-se um ruído como o de ar aspirado por um aspirador de pó; uma espécie de silvo (como o do ar ao se deslocar aspirado por inúmeros buraquinhos; não vi nenhum buraco; é só para comparação). Mais tarde, quando o aparelho começou a levantar do chão, aquele prato giratório iria aumentar tanto a sua velocidade a ponto de se tornar invisível, ficando-se a ver só a luz, cujo brilho também iria aumentar bastante e que mudaria também de cor – passando para o vermelho vivo.
 
Nesse momento, o som também aumentaria (mostrando ter relação com a velocidade de rotação do prato redondo que girava no topo do aparelho) transformando-se num verdadeiro zumbido ou chiado forte. Não entendi a razão daquelas mudanças, nem compreendo para que serviria esse prato giratório luminoso, que em nenhum momento cessou de rodar. Mas devia ter alguma utilidade, pois estava lá.
     
Uma pequena luz avermelhada parecia existir no centro daquela cúpula ou prato giratório. O movimento me impediu de verificar com certeza.
     
Passando para a traseira do aparelho, cruzamos de novo a porta e fomos caminhando, acompanhando a curva posterior do mesmo. Bem atrás, no lugar de onde, por comparação, sairia a cauda de um avião, havia uma peça de metal, retangular, colocada em posição vertical, de frente para a traseira, cruzando a plataforma.
 
Mas era baixinha, não passando da altura do meu joelho. Pude facilmente passar por cima dela para ir até o outro lado, e para voltar. Durante essas manobras notei no chão, de um lado e do outro da mesma, suas luzes embutidas e de cor avermelhada, com a forma de dois traços grossos e oblíquos para fora. Pareciam com as luzes dos aviões, embora não piscassem.
 
Por outro lado, acho que a tal peça de metal era uma espécie de leme para mudar a direção do aparelho. Pelo menos vi essa peça virar para o lado, justamente na hora em que o aparelho, já parado no ar a uma certa altura, depois de levantar do chão, virou bruscamente de direção – antes de começar a se mover a uma velocidade fantástica.
     
Depois de também vista a parte de trás do aparelho, voltamos até a porta. O meu guia apontou para a escada e me fez sinal para que eu descesse. Obedeci. Quando pisei o chão olhei para cima. Ele ainda estava lá. Apontou então para ele mesmo, em seguida para a terra, para logo depois apontar para o céu, na direção do sul.
 
A escada de metal começou a encolher, os degraus se arrumando uns em cima dos outros, como uma pilha de taboas. Quando chegou lá encima, a porta (que quando aberta era chão) começou, por sua vez, a subir até se encaixar na parede do aparelho – ficando invisível. As luzes dos esporões metálicos, dos faróis e do prato giratório ficaram mais fortes – enquanto este ultimo rodava cada vez mais depressa.
 
O aparelho começou a subir lentamente na vertical. Nesse momento, as três hastes do tripé onde o mesmo estava pousado subiram para os lados, sendo que a peça inferior de cada uma (mais fina, roliça e terminando num pé alargado) começou a entrar na peça de cima (bem mais grossa e quadrada); quando isso acabou, a peça de cima começou a entrar para o fundo do aparelho.      
 
No fim não se via mais nada, o fundo se apresentava liso e polido como se aquele tripé nunca tivesse existido. Não consegui descobrir qualquer marca indicando o lugar onde as hastes se tinham encaixado. Aquela gente trabalhava bem.
     
O aparelho continuou a se elevar lentamente no espaço até atingir uma altura de uns 30 a 50 metros. Aí ele parou por uns instantes, e ao mesmo tempo sua luminosidade se tornava ainda mais forte.
 
Aquele zumbido de ar se deslocando ficou muito mais intenso e o prato giratório passou a rodar numa velocidade espantosa, enquanto a luz mudava por várias cores até ficar de um vermelho vivo. Nesse momento o aparelho mudou de repente de direção, num movimento brusco, fazendo um ruído estrepitoso (foi nessa ocasião que vi a peça, que chamei de leme, virar de lado).
 
A seguir, inclinando-se ligeiramente para um lado, aquela aeronave estranha partiu como uma bala na direção do sul – a uma velocidade tão grande que sumiu em poucos segundos.
     
Voltei então para o meu trator. Deixei o aparelho mais ou menos às 5:30 hs da manhã. Calculo que tenha entrado no mesmo à 1:15 hs da madrugada. Fiquei lá dentro, portanto, durante quatro horas e quinze minutos. Muito tempo mesmo.
     
Quando quis ligar o motor do trator, notei que continuava enguiçado. Fui ver se havia algum defeito e descobri que um dos cabos da bateria tinha sido desparafusado e estava fora do lugar. Aquilo fora trabalho de alguém, pois um cabo de bateria bem preso (havia feito uma revisão quando saí de casa), não se solta sozinho.
 
Deve ter sido feito por um dos meus captores, depois que o trator parou com o motor isolado, provavelmente na ocasião em que me pegaram. Pode ter sido para impedir que eu escapasse de novo, caso conseguisse fugir das mãos que me seguravam. Aquele pessoal era muito “águia” não havia nada que eles não tivessem previsto.
     
Não contei o meu caso até agora para ninguém, com exceção de minha mãe.
 
Ela me disse que eu não devia me meter mais com aquela gente. Não tive coragem de contar ao meu pai porque já havia lhe contado a história da luz que apareceu no curral – e ele não acreditou, pois disse que “eu estava vendo coisa...”.
 
Resolvi, mais tarde, escrever para o Sr. João Martins, depois de ter lido um dos seus artigos na revista “O Cruzeiro”, em novembro, e no qual ele fazia um apelo aos leitores para que comunicassem todos os casos relacionados com os discos voadores. Se tivesse dinheiro suficiente, teria vindo há mais tempo. Mas como não possuía, tive que esperar até que ele dissesse que me ajudaria nas despesas da viagem.
 
 
 
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